sábado, 19 de dezembro de 2009

Possuído

Não espere o dia chegar
Pois não conseguirá mais ver
A luz do sol irradiar
Que fará seu olho arder

Não contemple a calmaria
Nem a chegada dos ventos
Não tem mais uma carne, desconhece a agonia
Seus, não são mais os pensamentos

Você está vivo mas não sabe,
Pois não tem sentimentos ações, nem memória
Em você mesmo não cabe mais sua alma
Pois alguém comprou a sua história

E nunca lembrará quando, onde,
Ou para quem vendeu
Não cabe mais a você, aonde,
Você vai, onde sua consciência se perdeu

É tarde demais para chorar,
Pois suas, não são mais as lágrimas
Tentará, em vão, gritar,
Mas aqueles que traiu, não ouvirão suas lástimas

Não soube conduzir a sua vida,
Por isso, entregou-a nas mãos de um mentor
Esperou que ele mostrasse a verdade não compreendida
De que o ser humano nasceu para a dor

Sofrer é a condição de viver
Mas você preferiu vender esse fardo
O único motivo pelo qual morrer
Deu sua única riqueza a um bastardo

Confiou nos amigos,
Que lhe chutaram o rabo
Vivendo felizes em seus jazigos
Rezam a Deus mas adoram o Diabo

Não têm alma, credo, rebanho condenado
Não têm um lado, a não ser, o que vence
E depois de traído, você se convence
De que a vida é honra demais a um fracassado

Dê sua vida a quem melhor pode aproveitar
Pois esperou Deus lhe fazer justiça, mas ele não veio
Agora, só resta, sua alma, entregar
Àquele sujeito medonho, feio

Pai dos desgraçados,
Mãe dos desprezados e desprezíveis
Da terra dos trovões calados
Ecoa o grito de suas crianças horríveis

Um mundo tão condenado,
Mas o único que o acolhe
De onde você sempre será negado
Nem seu cadáver miserável, a luz recolhe

Não há saída para o que está perdido
Nem há cura para quem é adoecido
Não há paciência para quem está caído
Por isso, deixei de ser esquecido e virei um possuído

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