Noite dos Mundos
Confinada ao fundo,
Aguardando com ânsia o desmundo,
Criatura vê do frígido recanto,
Face do destino, vê com espanto
Da mão divina, a sorte que se lança
Da sua linhagem a destinada matança
Cria maldita implora,
Absolvição, olho malévolo que chora
Em neurose ora,
Direito, não sabe para quem
Mas acredita em uma salvação no além
Acredita em renascida vida,
Vê as flores dos jardins da terra prometida
Mas sabe que lá não será seu lugar
Pois junto com sua família há de purgar
Dada será a batalha no céu
Espada ergue-se na mão de Miguel
Nuvens coram-se de sangue
O exército do herege prossegue,
Encanto e blasfêmia sobre a Terra, vocifera
Corpos de anjos, lâmina maligna dilacera
Terra é escravizada pelo reino pagão
Sobre os jardins e as águas do Senhor, desce o dragão
Dez são seus chifres, sete são suas cabeças,
Dez são suas diademas, um é o nome da blasfêmia
Sentado, aguarda o dragão
Para que devore, da mulher o varão
Mas antes que o pai de toda a desgraça,
Tome do mundo, fiapo de esperança e o desfaça
Dado é, à mulher, duas grandes asas
Dado é, no sagrado deserto, seguras casas
Grande Mãe refugia-se da serpente
Terrível besta, deságua, de sua boca, letal corrente
Mas suas águas são engolidas pela terra
Que as ameaças da criatura enterra,
Irada, declara a besta guerra à divina semente
Morte aos anjos de Deus e a todo o seu temente
E aos seus sacramentos,
Esquece, o povo, dos divinos mandamentos
É visto chegar ao mundo, da fúria,
Outra, como a primeira, horrenda criatura
Mas essa, semelhante a um leopardo
Dado é ao mundo mais enorme fardo
Emerge do mar sua mãe ferida à espada
Ferida pela lâmina de Miguel entalhada
Maravilha-se o mundo diante à ferida da morte curada
Indagam como pode a besta ser derrotada
À sua cria, grande boca é dada
Para que profira grandes blasfêmias,
E ao nome de Deus vocifere infâmias,
Blasfêmia contra os que habitam no céu e seu tabernáculo
Entalhado é o maldito pentáculo,
Sobre as cabeças dos que agora lhes são crentes
Dado é o poder que converte as tribos em obedientes
E adoraram todos a besta, da primeira, nascida
Adoram-na aqueles cujos nomes são apagados do livro da vida
Eis que se vê o último feito traiçoeiro
Emerge da terra outra besta com chifres de cordeiro
E faz estremecer do planeta o seu chão
Com o poder da primeira besta e a fala do dragão
Iguala todos a um rebanho de condenados
Com seu nome ou número marcados
Para que ninguém possa comprar ou vender
Fora das rédeas do maldito sobreviver
Se alguém tem ouvidos, ouça
Se alguém ainda tem fé, que se torça
Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá
Se alguém matar à espada, à espada morrerá
Aqui está a paciência e a fé dos santos
Aqui está seu povo escravo em prantos
Aqui há histeria,
Aqui, tenta sobreviver a sabedoria
"Aquele que tem entendimento,
Calcule o número da besta;
Porque é o número de um homem
E seu número, é seiscentos e sessenta e seis" (Apocalipse 13: 18)
Seiscentos é sessenta e seis é a terça parte
De estrelas lançadas à Terra, luz que se reparte
Seiscentos e sessenta e seis é a prostituição
Do mundo, dos seus reis, da traidora nação
Seiscentos e sessenta e seis é a noite dos mundos
São as vidas, que agora, jazem nos infernos profundos
Seiscentos e sessenta e seis, fé e sanidade que somem
Seiscentos e sessenta e seis, esse é o número do homem!
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