Melancolias e Alguns Versos
Escapando um soluço,
Em meio à noite me engasgo
Grunhindo o fuço,
Em seu nojo me rasgo
Cortam minha pele,
As correntes do meu pesadelo
A lâmina do inimigo me fere
As mãos odiosas arrancam meu cabelo
Sinto os dentes de cada condenado
Cravar-me a carne e espalhar-me o sangue
Oro enquanto vejo meu corpo retalhado
Restos da alma maldita, o inferno lambe
Goza cada amaldiçoado,
O gosto de ter Estrela por companheira
Goza meu corpo, de meus ossos, separado
Goza a luxúria, a penúria da vida inteira
Gozem nas jaulas os animais
Nas celas, criminosos e psicopatas
E na inocência, os pacatos débil-mentais
O mundo é seu, sociopatas!
Bem-vindas e benditas, minhas crianças!
Explodam esse mundo, destruam o que quiser
Pois o ser humano não estranha matanças
Nesse mundo que Deus deixou e nem o diabo quer
O paraíso dos hereges, dos insanos, o trono
Não foi assim que planejou o Criador
Mas o homem escolheu libertar-se do seu dono
Para seguir os passos da liberdade, dada foi a dor
Desse purgatório,
Menor dos males é a morte
Alívio quando chega o corpo ao crematório
Livre da cama, do bisturi e seu corte
Feliz é quem de longe nos zomba
Livre de uma carne, de uma vida, de uma mentira
Feliz torna-se o infeliz que no chão tomba
E manda à merda esse mundo e sua ira
Não sei se é feliz ou infeliz,
Estrela na sua pacata ignorância
Sua piedade ao homem, revela, diz
É a criação humana, de total insignificância
No mundo dos homens, amor é utopia
Sonhos armazenados a um outro plano
A paz, por aqui, é uma bela fantasia
Nada mais que desordem nasce no solo do profano
E nada mais nasce na mente,
De quem quer ter o direito de sonhar
No mais puro coração, a fé está ausente
Pois aqui, a recompensa por ser bom é definhar
Suga, o vampiro, o sangue e o suor
De quem, por aqui, atreve-se a ser honesto
Ou ter vontade de viver em um lugar melhor
A sentença do exílio é, do caos, o manifesto
Um tempo difícil, na Terra, haveria
De si mesmos, os homens seriam amantes
Dizia a profecia,
Adoradores dos prazeres, blasfemos e arrogantes
Perderiam, dentro de si, a magia
Pois aos braços do inimigo se veriam confiantes
A palavra não é a da salvação,
Mas do fim dos dias, da nossa destruição
Muitos serão os seduzidos pelos cantos,
Dele e de seus anjos banidos
Revelada será a paciência e a fé dos santos,
Para com os povos oprimidos
Cobertos serão pelo fogo e seus mantos
Esmagados serão os corações dos possuídos
Conhecida é a divina punição
Mas afinal, de quem ouvimos falar em perdão?
Se levar em cativeiro, em cativeiro irá
Se matar à espada, à espada morrerá
Mas se matar com um tiro,
À medida em que se tira, de alguém, o suspiro
Deixa-se, no mundo, o seu grito
Estupra-o com sua presença
Percebe-se que o problema pessoal é um mito
Fere a cara de pau da sociedade e sua indiferença
Era, o bom samaritano, uma parábola,
Pois o homem moderno é uma reta constante
E no seu mundo, não há fábula
Que o livre da sua existência sufocante
Até que vague a alma por outra dimensão
Livre da carne, encontre seu consolo,
Livre da chaga, descanse na escuridão,
Não mais é vislumbrado o ouro do tolo
Quando se é entrelaçado com a morte
Despido se é de todo o mal
Não o aflige a ceifa e seu corte
Pois toda a vida que parte é igual
Torna-se, o espírito livre, forte
Inútil é o temor, pois a alma é imortal
Cada alma, uma estrela no cosmos que irradia
Uma gaiola aberta, é uma pele já fria
Não ouse chorar em um velório
Chore, ria, grite perante a vida
O mistério da existência é intenso e simplório
Nem sempre há tempo para uma criatura arrependida
Ouça o coração quando ele chamar
Já que pode não haver outra chance,
Não perca tempo em deixar de saber o que é amar
Ou prender o sentimento, pai do romance
Não lamente os erros que já tenha cometido
Ao menos que, com eles, não tenha conseguido aprender
Sempre há perdão para o coração realmente arrependido
É apenas do homem, a paranóia de condenar e fazer sofrer
Assim como, dele, é a necessidade de sonhar,
Assim como, dele, é a necessidade de evoluir,
A sua ânsia em perseguir, buscar
E a força da sua natureza de transgredir
E a esperança que segue feito rio corrente,
Nasce, embeleza e renova em cada ser nascente
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