16 horas
Alma congelada
Alma afundada
Numa dor que nunca acaba
Tristeza amarrada
Solidão
Sofrimento dominante
Odeio sentir tudo isso
8 horas dormindo
8 horas de sonho
Quando acordo
Percebo que tenho 16 horas de pesadelo
16 horas acordado num pesadelo não abandonado
16 horas chorando lagrimas congeladas
16 horas sentindo a dor da solidão
16 horas tentando apagar a vontade de morrer na escuridão
domingo, 5 de setembro de 2010
sábado, 19 de dezembro de 2009
Noite dos Mundos
Confinada ao fundo,
Aguardando com ânsia o desmundo,
Criatura vê do frígido recanto,
Face do destino, vê com espanto
Da mão divina, a sorte que se lança
Da sua linhagem a destinada matança
Cria maldita implora,
Absolvição, olho malévolo que chora
Em neurose ora,
Direito, não sabe para quem
Mas acredita em uma salvação no além
Acredita em renascida vida,
Vê as flores dos jardins da terra prometida
Mas sabe que lá não será seu lugar
Pois junto com sua família há de purgar
Dada será a batalha no céu
Espada ergue-se na mão de Miguel
Nuvens coram-se de sangue
O exército do herege prossegue,
Encanto e blasfêmia sobre a Terra, vocifera
Corpos de anjos, lâmina maligna dilacera
Terra é escravizada pelo reino pagão
Sobre os jardins e as águas do Senhor, desce o dragão
Dez são seus chifres, sete são suas cabeças,
Dez são suas diademas, um é o nome da blasfêmia
Sentado, aguarda o dragão
Para que devore, da mulher o varão
Mas antes que o pai de toda a desgraça,
Tome do mundo, fiapo de esperança e o desfaça
Dado é, à mulher, duas grandes asas
Dado é, no sagrado deserto, seguras casas
Grande Mãe refugia-se da serpente
Terrível besta, deságua, de sua boca, letal corrente
Mas suas águas são engolidas pela terra
Que as ameaças da criatura enterra,
Irada, declara a besta guerra à divina semente
Morte aos anjos de Deus e a todo o seu temente
E aos seus sacramentos,
Esquece, o povo, dos divinos mandamentos
É visto chegar ao mundo, da fúria,
Outra, como a primeira, horrenda criatura
Mas essa, semelhante a um leopardo
Dado é ao mundo mais enorme fardo
Emerge do mar sua mãe ferida à espada
Ferida pela lâmina de Miguel entalhada
Maravilha-se o mundo diante à ferida da morte curada
Indagam como pode a besta ser derrotada
À sua cria, grande boca é dada
Para que profira grandes blasfêmias,
E ao nome de Deus vocifere infâmias,
Blasfêmia contra os que habitam no céu e seu tabernáculo
Entalhado é o maldito pentáculo,
Sobre as cabeças dos que agora lhes são crentes
Dado é o poder que converte as tribos em obedientes
E adoraram todos a besta, da primeira, nascida
Adoram-na aqueles cujos nomes são apagados do livro da vida
Eis que se vê o último feito traiçoeiro
Emerge da terra outra besta com chifres de cordeiro
E faz estremecer do planeta o seu chão
Com o poder da primeira besta e a fala do dragão
Iguala todos a um rebanho de condenados
Com seu nome ou número marcados
Para que ninguém possa comprar ou vender
Fora das rédeas do maldito sobreviver
Se alguém tem ouvidos, ouça
Se alguém ainda tem fé, que se torça
Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá
Se alguém matar à espada, à espada morrerá
Aqui está a paciência e a fé dos santos
Aqui está seu povo escravo em prantos
Aqui há histeria,
Aqui, tenta sobreviver a sabedoria
"Aquele que tem entendimento,
Calcule o número da besta;
Porque é o número de um homem
E seu número, é seiscentos e sessenta e seis" (Apocalipse 13: 18)
Seiscentos é sessenta e seis é a terça parte
De estrelas lançadas à Terra, luz que se reparte
Seiscentos e sessenta e seis é a prostituição
Do mundo, dos seus reis, da traidora nação
Seiscentos e sessenta e seis é a noite dos mundos
São as vidas, que agora, jazem nos infernos profundos
Seiscentos e sessenta e seis, fé e sanidade que somem
Seiscentos e sessenta e seis, esse é o número do homem!
Confinada ao fundo,
Aguardando com ânsia o desmundo,
Criatura vê do frígido recanto,
Face do destino, vê com espanto
Da mão divina, a sorte que se lança
Da sua linhagem a destinada matança
Cria maldita implora,
Absolvição, olho malévolo que chora
Em neurose ora,
Direito, não sabe para quem
Mas acredita em uma salvação no além
Acredita em renascida vida,
Vê as flores dos jardins da terra prometida
Mas sabe que lá não será seu lugar
Pois junto com sua família há de purgar
Dada será a batalha no céu
Espada ergue-se na mão de Miguel
Nuvens coram-se de sangue
O exército do herege prossegue,
Encanto e blasfêmia sobre a Terra, vocifera
Corpos de anjos, lâmina maligna dilacera
Terra é escravizada pelo reino pagão
Sobre os jardins e as águas do Senhor, desce o dragão
Dez são seus chifres, sete são suas cabeças,
Dez são suas diademas, um é o nome da blasfêmia
Sentado, aguarda o dragão
Para que devore, da mulher o varão
Mas antes que o pai de toda a desgraça,
Tome do mundo, fiapo de esperança e o desfaça
Dado é, à mulher, duas grandes asas
Dado é, no sagrado deserto, seguras casas
Grande Mãe refugia-se da serpente
Terrível besta, deságua, de sua boca, letal corrente
Mas suas águas são engolidas pela terra
Que as ameaças da criatura enterra,
Irada, declara a besta guerra à divina semente
Morte aos anjos de Deus e a todo o seu temente
E aos seus sacramentos,
Esquece, o povo, dos divinos mandamentos
É visto chegar ao mundo, da fúria,
Outra, como a primeira, horrenda criatura
Mas essa, semelhante a um leopardo
Dado é ao mundo mais enorme fardo
Emerge do mar sua mãe ferida à espada
Ferida pela lâmina de Miguel entalhada
Maravilha-se o mundo diante à ferida da morte curada
Indagam como pode a besta ser derrotada
À sua cria, grande boca é dada
Para que profira grandes blasfêmias,
E ao nome de Deus vocifere infâmias,
Blasfêmia contra os que habitam no céu e seu tabernáculo
Entalhado é o maldito pentáculo,
Sobre as cabeças dos que agora lhes são crentes
Dado é o poder que converte as tribos em obedientes
E adoraram todos a besta, da primeira, nascida
Adoram-na aqueles cujos nomes são apagados do livro da vida
Eis que se vê o último feito traiçoeiro
Emerge da terra outra besta com chifres de cordeiro
E faz estremecer do planeta o seu chão
Com o poder da primeira besta e a fala do dragão
Iguala todos a um rebanho de condenados
Com seu nome ou número marcados
Para que ninguém possa comprar ou vender
Fora das rédeas do maldito sobreviver
Se alguém tem ouvidos, ouça
Se alguém ainda tem fé, que se torça
Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá
Se alguém matar à espada, à espada morrerá
Aqui está a paciência e a fé dos santos
Aqui está seu povo escravo em prantos
Aqui há histeria,
Aqui, tenta sobreviver a sabedoria
"Aquele que tem entendimento,
Calcule o número da besta;
Porque é o número de um homem
E seu número, é seiscentos e sessenta e seis" (Apocalipse 13: 18)
Seiscentos é sessenta e seis é a terça parte
De estrelas lançadas à Terra, luz que se reparte
Seiscentos e sessenta e seis é a prostituição
Do mundo, dos seus reis, da traidora nação
Seiscentos e sessenta e seis é a noite dos mundos
São as vidas, que agora, jazem nos infernos profundos
Seiscentos e sessenta e seis, fé e sanidade que somem
Seiscentos e sessenta e seis, esse é o número do homem!
O Lago de Narciso
Quando a luz se apagou,
Dentro de mim não pude mais ver,
Seus olhos, você me emprestou
Muito profundo fui capaz de descer
Para recolher a estrela que estilhaçou
Ao seu jogo, resolvi me render
Na esperança vã que dominava,
De resgatar minha imagem que se dissipava
Olhos, ao escuro, cegados,
Há muito vazados pela tristeza,
Estavam por demais machucados,
Para sentir o reflexo da beleza,
Ou umedecerem aos traços marcados,
Entalhados pelo tempo e pela mãe natureza
Eis que surgem seus olhos quando não mais via
Eis que surge seu coração quando não mais sentia
Corpo e espírito desnudavam-se
Meu segredo mais profundo revelei
Minhas faces perante você, desvendavam-se
Meu recanto mais obscuro, mostrei
Sentimentos e pensamentos entregavam-se
E a última gota de fé que te confiei
Doei minha alma a você, outrora
Mas preferiu minha carne e jogou minha alma fora
Uma cicatriz é o que me resta agora
Bendita e cumprida foi a missão
Pássaro livre, voa, vai embora
Pois a todo o início, há uma terminação
Estranho é como o ser humano namora
Estranha é, do sentimento, a anulação
E a ânsia em corroer o que é indissolúvel
O amor em sua verdade nunca será volúvel
Curiosa é a facilidade,
Com que se anula uma jura
Atrofia o sorriso diante à dificuldade
Permanece apenas em uma figura,
O que um dia foi vida e felicidade
Até que nos separe a miséria e a loucura,
Ou nosso mútuo egoísmo,
Continuemos nos ofendendo com nosso cinismo
Muito queria amar
E um dia, pensei ter conseguido
Mal podia eu imaginar
Que meu próprio ser me era tão querido
Depois que passei a me enxergar
Por seus olhos, meu semblante foi percebido
Eu e você, enganei
Quando, através de você, eu me amei
Era para mim, cada elogio
Uma ferida que cicatrizava
Definia-se, meu reflexo, antes, vazio
A carne, antes feia, agora se transformava
Nem via eu o interesse frio,
Que havia por trás de quem me confortava
Pois nada mais estava enxergando
Intensamente, loucamente, estava me amando
Prostitui-me em troca de no outro encontrar
O que não conseguia encontrar dentro de mim
Até em você, eu cair e me afogar
E a nojenta mentira ter seu merecido fim
No mundo humano, toda a graça se deve pagar
E paguei com a honra que havia em mim
Mas muito a você, confesso, devo agradecer
Pois na sujeira em que me afundou, fêz-me renascer
Então, meus olhos se abriram
E por eles, refletiam novas cores
Não vêem mais como antes viam
Aprenderam a contemplar, da vida, as flores
Não mais da verdade, fugiam
Pois aprendeu, a mente, a apreciar os sabores
Que oferece a vida e perceber,
Que beleza é questão de sentir, não apenas de ver
Quanto ao meu erro, agradeci,
Por mais uma lição aprendida
Com minha vergonha, cresci
Saiu da cegueira, a mente arrependida
Então, finamente entendi
Que a verdadeira beleza precisa ser compreendida
E para isso, basta apenas um pouco de sensibilidade,
Crescer e despir-se da humana vaidade
E da coletiva insanidade
De querer deformar em um padrão
O que é puro e belo de verdade
Para ver beleza, não há uma condição
Além da riqueza de espírito que chamamos humildade
E de ter, pela vida, alguma paixão
O belo está oculto, transfigurado na simplicidade
Que dá à beleza seu valor e sua raridade
A beleza começa feito puberdade
É uma descoberta pessoal
Revelada em uma viagem à intimidade
Para conhecê-la, é fundamental,
Que conheça a si próprio de verdade
Conheça e compreenda seu universo mental
Pois só assim sua beleza será definida
E não apenas uma idéia alheia incutida
É como admirar uma obra de arte
Há obras feitas para cada tipo de admirador
Vem até você, penetra e da sua alma, parte
Tem diferentes faces para cada observador
E por mais que negue o ser humano covarde
O homem é, da beleza, um eterno adorador
Pode não saber, mas no fundo, admira
A beleza que para ele nasceu e suspira
Um pássaro que, da janela, voa
Um casal em suas carícias e sua saudade
O choro de um recém-nascido, a vida ecoa
A criança, o presente e sua felicidade
Uma boca apaixonada, que doce palavra entoa
O brasileiro de coração que pratica a solidariedade
O mundo está pronto a servi-lo em sua grandeza
Fique à vontade e encontre sua beleza
Quando a luz se apagou,
Dentro de mim não pude mais ver,
Seus olhos, você me emprestou
Muito profundo fui capaz de descer
Para recolher a estrela que estilhaçou
Ao seu jogo, resolvi me render
Na esperança vã que dominava,
De resgatar minha imagem que se dissipava
Olhos, ao escuro, cegados,
Há muito vazados pela tristeza,
Estavam por demais machucados,
Para sentir o reflexo da beleza,
Ou umedecerem aos traços marcados,
Entalhados pelo tempo e pela mãe natureza
Eis que surgem seus olhos quando não mais via
Eis que surge seu coração quando não mais sentia
Corpo e espírito desnudavam-se
Meu segredo mais profundo revelei
Minhas faces perante você, desvendavam-se
Meu recanto mais obscuro, mostrei
Sentimentos e pensamentos entregavam-se
E a última gota de fé que te confiei
Doei minha alma a você, outrora
Mas preferiu minha carne e jogou minha alma fora
Uma cicatriz é o que me resta agora
Bendita e cumprida foi a missão
Pássaro livre, voa, vai embora
Pois a todo o início, há uma terminação
Estranho é como o ser humano namora
Estranha é, do sentimento, a anulação
E a ânsia em corroer o que é indissolúvel
O amor em sua verdade nunca será volúvel
Curiosa é a facilidade,
Com que se anula uma jura
Atrofia o sorriso diante à dificuldade
Permanece apenas em uma figura,
O que um dia foi vida e felicidade
Até que nos separe a miséria e a loucura,
Ou nosso mútuo egoísmo,
Continuemos nos ofendendo com nosso cinismo
Muito queria amar
E um dia, pensei ter conseguido
Mal podia eu imaginar
Que meu próprio ser me era tão querido
Depois que passei a me enxergar
Por seus olhos, meu semblante foi percebido
Eu e você, enganei
Quando, através de você, eu me amei
Era para mim, cada elogio
Uma ferida que cicatrizava
Definia-se, meu reflexo, antes, vazio
A carne, antes feia, agora se transformava
Nem via eu o interesse frio,
Que havia por trás de quem me confortava
Pois nada mais estava enxergando
Intensamente, loucamente, estava me amando
Prostitui-me em troca de no outro encontrar
O que não conseguia encontrar dentro de mim
Até em você, eu cair e me afogar
E a nojenta mentira ter seu merecido fim
No mundo humano, toda a graça se deve pagar
E paguei com a honra que havia em mim
Mas muito a você, confesso, devo agradecer
Pois na sujeira em que me afundou, fêz-me renascer
Então, meus olhos se abriram
E por eles, refletiam novas cores
Não vêem mais como antes viam
Aprenderam a contemplar, da vida, as flores
Não mais da verdade, fugiam
Pois aprendeu, a mente, a apreciar os sabores
Que oferece a vida e perceber,
Que beleza é questão de sentir, não apenas de ver
Quanto ao meu erro, agradeci,
Por mais uma lição aprendida
Com minha vergonha, cresci
Saiu da cegueira, a mente arrependida
Então, finamente entendi
Que a verdadeira beleza precisa ser compreendida
E para isso, basta apenas um pouco de sensibilidade,
Crescer e despir-se da humana vaidade
E da coletiva insanidade
De querer deformar em um padrão
O que é puro e belo de verdade
Para ver beleza, não há uma condição
Além da riqueza de espírito que chamamos humildade
E de ter, pela vida, alguma paixão
O belo está oculto, transfigurado na simplicidade
Que dá à beleza seu valor e sua raridade
A beleza começa feito puberdade
É uma descoberta pessoal
Revelada em uma viagem à intimidade
Para conhecê-la, é fundamental,
Que conheça a si próprio de verdade
Conheça e compreenda seu universo mental
Pois só assim sua beleza será definida
E não apenas uma idéia alheia incutida
É como admirar uma obra de arte
Há obras feitas para cada tipo de admirador
Vem até você, penetra e da sua alma, parte
Tem diferentes faces para cada observador
E por mais que negue o ser humano covarde
O homem é, da beleza, um eterno adorador
Pode não saber, mas no fundo, admira
A beleza que para ele nasceu e suspira
Um pássaro que, da janela, voa
Um casal em suas carícias e sua saudade
O choro de um recém-nascido, a vida ecoa
A criança, o presente e sua felicidade
Uma boca apaixonada, que doce palavra entoa
O brasileiro de coração que pratica a solidariedade
O mundo está pronto a servi-lo em sua grandeza
Fique à vontade e encontre sua beleza
Cicatriz
Na carne crava o espinho
Da dor que atravessa os ossos, definho
O pranto dá boas vindas ao meu castigo
Aos pés da vida, com lágrimas, mendigo
Não se teme na decadência arder
Quando nada, mais nada, tem-se a perder
As flores do jardim encontram-se ressecadas
Seu perfume evanesceu, suas cores são desbotadas
A rosa branca está morrendo de tanta tristeza
De seus botões, esvaem suas pétalas e sua beleza
Não adiantou na escuridão me refugiar
Pois a desgraça dentro de minha casa me foi buscar
Sem forças caí, em angústia me rendi
No chão, em desespero pedi
Mas minha súplica ofegante não foi ouvida
Do meu choro, do meu soluço, não teve pena a vida
Duas vezes caí
Duas vezes pedi
Duas vezes chorei
Duas vezes sangrei
De seu vôo gracioso caiu o beija-flor
Seu corpo pálido padecendo de dó e dor
As raízes e o verde, perdeu o gramado
O solo agora, é seco, estéril e arrasado
E eu que vivia a versar em meus campos coloridos
Ando agora no deserto, em seus rumos áridos e feridos
Sei que não mais adianta gritar, por isso ando calada
Às vezes penso ver cores, mas é apenas paisagem desolada
O sol, do alvo céu, sorri seu sorriso incandescente
E eu também extraio um sorriso da minha face doente
Não sei como, por quê, nem até quando
Mas sei que preciso continuar andando
A lua vela o sono da sua filha, em seu esplendor
Seus olhos a iluminam enquanto ela dorme nas trevas e na dor
Desde a minha origem, vivo como se já tivesse vivido
Minha vida não passa de um filme mudo e repetido
Por isso, não sei se temo o infortúnio ou o glorifico
Às vezes, até alegre com sua presença, eu fico
Muito pelo inferno vaguei
Muito à beira da loucura, sozinha, fiquei
Muito perdi
Muito adoeci
Muito chorei
Muito sangrei
E mesmo assim, muito à vida agradeço
Dela não guardo rancores, com ela não me aborreço
Pois antes de me presentear com sua cilada
Em muito ela já me fez realizada
Antes de me fazer chorar
Antes de me fazer sangrar
Muito ela me ensinou
Muito devo a ela o que sou
Muito, por campos cheirosos e floridos, andei
Muito, seus aromas e sua beleza, cantei
Tempo que, hoje, lembro-me com saudade
Relíquia que a vida me deu, que carregarei até a eternidade
Graças à ela, por um momento fui feliz
Dela, carrego sua marca, minha doce cicatriz
Na carne crava o espinho
Da dor que atravessa os ossos, definho
O pranto dá boas vindas ao meu castigo
Aos pés da vida, com lágrimas, mendigo
Não se teme na decadência arder
Quando nada, mais nada, tem-se a perder
As flores do jardim encontram-se ressecadas
Seu perfume evanesceu, suas cores são desbotadas
A rosa branca está morrendo de tanta tristeza
De seus botões, esvaem suas pétalas e sua beleza
Não adiantou na escuridão me refugiar
Pois a desgraça dentro de minha casa me foi buscar
Sem forças caí, em angústia me rendi
No chão, em desespero pedi
Mas minha súplica ofegante não foi ouvida
Do meu choro, do meu soluço, não teve pena a vida
Duas vezes caí
Duas vezes pedi
Duas vezes chorei
Duas vezes sangrei
De seu vôo gracioso caiu o beija-flor
Seu corpo pálido padecendo de dó e dor
As raízes e o verde, perdeu o gramado
O solo agora, é seco, estéril e arrasado
E eu que vivia a versar em meus campos coloridos
Ando agora no deserto, em seus rumos áridos e feridos
Sei que não mais adianta gritar, por isso ando calada
Às vezes penso ver cores, mas é apenas paisagem desolada
O sol, do alvo céu, sorri seu sorriso incandescente
E eu também extraio um sorriso da minha face doente
Não sei como, por quê, nem até quando
Mas sei que preciso continuar andando
A lua vela o sono da sua filha, em seu esplendor
Seus olhos a iluminam enquanto ela dorme nas trevas e na dor
Desde a minha origem, vivo como se já tivesse vivido
Minha vida não passa de um filme mudo e repetido
Por isso, não sei se temo o infortúnio ou o glorifico
Às vezes, até alegre com sua presença, eu fico
Muito pelo inferno vaguei
Muito à beira da loucura, sozinha, fiquei
Muito perdi
Muito adoeci
Muito chorei
Muito sangrei
E mesmo assim, muito à vida agradeço
Dela não guardo rancores, com ela não me aborreço
Pois antes de me presentear com sua cilada
Em muito ela já me fez realizada
Antes de me fazer chorar
Antes de me fazer sangrar
Muito ela me ensinou
Muito devo a ela o que sou
Muito, por campos cheirosos e floridos, andei
Muito, seus aromas e sua beleza, cantei
Tempo que, hoje, lembro-me com saudade
Relíquia que a vida me deu, que carregarei até a eternidade
Graças à ela, por um momento fui feliz
Dela, carrego sua marca, minha doce cicatriz
Melancolias e Alguns Versos
Escapando um soluço,
Em meio à noite me engasgo
Grunhindo o fuço,
Em seu nojo me rasgo
Cortam minha pele,
As correntes do meu pesadelo
A lâmina do inimigo me fere
As mãos odiosas arrancam meu cabelo
Sinto os dentes de cada condenado
Cravar-me a carne e espalhar-me o sangue
Oro enquanto vejo meu corpo retalhado
Restos da alma maldita, o inferno lambe
Goza cada amaldiçoado,
O gosto de ter Estrela por companheira
Goza meu corpo, de meus ossos, separado
Goza a luxúria, a penúria da vida inteira
Gozem nas jaulas os animais
Nas celas, criminosos e psicopatas
E na inocência, os pacatos débil-mentais
O mundo é seu, sociopatas!
Bem-vindas e benditas, minhas crianças!
Explodam esse mundo, destruam o que quiser
Pois o ser humano não estranha matanças
Nesse mundo que Deus deixou e nem o diabo quer
O paraíso dos hereges, dos insanos, o trono
Não foi assim que planejou o Criador
Mas o homem escolheu libertar-se do seu dono
Para seguir os passos da liberdade, dada foi a dor
Desse purgatório,
Menor dos males é a morte
Alívio quando chega o corpo ao crematório
Livre da cama, do bisturi e seu corte
Feliz é quem de longe nos zomba
Livre de uma carne, de uma vida, de uma mentira
Feliz torna-se o infeliz que no chão tomba
E manda à merda esse mundo e sua ira
Não sei se é feliz ou infeliz,
Estrela na sua pacata ignorância
Sua piedade ao homem, revela, diz
É a criação humana, de total insignificância
No mundo dos homens, amor é utopia
Sonhos armazenados a um outro plano
A paz, por aqui, é uma bela fantasia
Nada mais que desordem nasce no solo do profano
E nada mais nasce na mente,
De quem quer ter o direito de sonhar
No mais puro coração, a fé está ausente
Pois aqui, a recompensa por ser bom é definhar
Suga, o vampiro, o sangue e o suor
De quem, por aqui, atreve-se a ser honesto
Ou ter vontade de viver em um lugar melhor
A sentença do exílio é, do caos, o manifesto
Um tempo difícil, na Terra, haveria
De si mesmos, os homens seriam amantes
Dizia a profecia,
Adoradores dos prazeres, blasfemos e arrogantes
Perderiam, dentro de si, a magia
Pois aos braços do inimigo se veriam confiantes
A palavra não é a da salvação,
Mas do fim dos dias, da nossa destruição
Muitos serão os seduzidos pelos cantos,
Dele e de seus anjos banidos
Revelada será a paciência e a fé dos santos,
Para com os povos oprimidos
Cobertos serão pelo fogo e seus mantos
Esmagados serão os corações dos possuídos
Conhecida é a divina punição
Mas afinal, de quem ouvimos falar em perdão?
Se levar em cativeiro, em cativeiro irá
Se matar à espada, à espada morrerá
Mas se matar com um tiro,
À medida em que se tira, de alguém, o suspiro
Deixa-se, no mundo, o seu grito
Estupra-o com sua presença
Percebe-se que o problema pessoal é um mito
Fere a cara de pau da sociedade e sua indiferença
Era, o bom samaritano, uma parábola,
Pois o homem moderno é uma reta constante
E no seu mundo, não há fábula
Que o livre da sua existência sufocante
Até que vague a alma por outra dimensão
Livre da carne, encontre seu consolo,
Livre da chaga, descanse na escuridão,
Não mais é vislumbrado o ouro do tolo
Quando se é entrelaçado com a morte
Despido se é de todo o mal
Não o aflige a ceifa e seu corte
Pois toda a vida que parte é igual
Torna-se, o espírito livre, forte
Inútil é o temor, pois a alma é imortal
Cada alma, uma estrela no cosmos que irradia
Uma gaiola aberta, é uma pele já fria
Não ouse chorar em um velório
Chore, ria, grite perante a vida
O mistério da existência é intenso e simplório
Nem sempre há tempo para uma criatura arrependida
Ouça o coração quando ele chamar
Já que pode não haver outra chance,
Não perca tempo em deixar de saber o que é amar
Ou prender o sentimento, pai do romance
Não lamente os erros que já tenha cometido
Ao menos que, com eles, não tenha conseguido aprender
Sempre há perdão para o coração realmente arrependido
É apenas do homem, a paranóia de condenar e fazer sofrer
Assim como, dele, é a necessidade de sonhar,
Assim como, dele, é a necessidade de evoluir,
A sua ânsia em perseguir, buscar
E a força da sua natureza de transgredir
E a esperança que segue feito rio corrente,
Nasce, embeleza e renova em cada ser nascente
Escapando um soluço,
Em meio à noite me engasgo
Grunhindo o fuço,
Em seu nojo me rasgo
Cortam minha pele,
As correntes do meu pesadelo
A lâmina do inimigo me fere
As mãos odiosas arrancam meu cabelo
Sinto os dentes de cada condenado
Cravar-me a carne e espalhar-me o sangue
Oro enquanto vejo meu corpo retalhado
Restos da alma maldita, o inferno lambe
Goza cada amaldiçoado,
O gosto de ter Estrela por companheira
Goza meu corpo, de meus ossos, separado
Goza a luxúria, a penúria da vida inteira
Gozem nas jaulas os animais
Nas celas, criminosos e psicopatas
E na inocência, os pacatos débil-mentais
O mundo é seu, sociopatas!
Bem-vindas e benditas, minhas crianças!
Explodam esse mundo, destruam o que quiser
Pois o ser humano não estranha matanças
Nesse mundo que Deus deixou e nem o diabo quer
O paraíso dos hereges, dos insanos, o trono
Não foi assim que planejou o Criador
Mas o homem escolheu libertar-se do seu dono
Para seguir os passos da liberdade, dada foi a dor
Desse purgatório,
Menor dos males é a morte
Alívio quando chega o corpo ao crematório
Livre da cama, do bisturi e seu corte
Feliz é quem de longe nos zomba
Livre de uma carne, de uma vida, de uma mentira
Feliz torna-se o infeliz que no chão tomba
E manda à merda esse mundo e sua ira
Não sei se é feliz ou infeliz,
Estrela na sua pacata ignorância
Sua piedade ao homem, revela, diz
É a criação humana, de total insignificância
No mundo dos homens, amor é utopia
Sonhos armazenados a um outro plano
A paz, por aqui, é uma bela fantasia
Nada mais que desordem nasce no solo do profano
E nada mais nasce na mente,
De quem quer ter o direito de sonhar
No mais puro coração, a fé está ausente
Pois aqui, a recompensa por ser bom é definhar
Suga, o vampiro, o sangue e o suor
De quem, por aqui, atreve-se a ser honesto
Ou ter vontade de viver em um lugar melhor
A sentença do exílio é, do caos, o manifesto
Um tempo difícil, na Terra, haveria
De si mesmos, os homens seriam amantes
Dizia a profecia,
Adoradores dos prazeres, blasfemos e arrogantes
Perderiam, dentro de si, a magia
Pois aos braços do inimigo se veriam confiantes
A palavra não é a da salvação,
Mas do fim dos dias, da nossa destruição
Muitos serão os seduzidos pelos cantos,
Dele e de seus anjos banidos
Revelada será a paciência e a fé dos santos,
Para com os povos oprimidos
Cobertos serão pelo fogo e seus mantos
Esmagados serão os corações dos possuídos
Conhecida é a divina punição
Mas afinal, de quem ouvimos falar em perdão?
Se levar em cativeiro, em cativeiro irá
Se matar à espada, à espada morrerá
Mas se matar com um tiro,
À medida em que se tira, de alguém, o suspiro
Deixa-se, no mundo, o seu grito
Estupra-o com sua presença
Percebe-se que o problema pessoal é um mito
Fere a cara de pau da sociedade e sua indiferença
Era, o bom samaritano, uma parábola,
Pois o homem moderno é uma reta constante
E no seu mundo, não há fábula
Que o livre da sua existência sufocante
Até que vague a alma por outra dimensão
Livre da carne, encontre seu consolo,
Livre da chaga, descanse na escuridão,
Não mais é vislumbrado o ouro do tolo
Quando se é entrelaçado com a morte
Despido se é de todo o mal
Não o aflige a ceifa e seu corte
Pois toda a vida que parte é igual
Torna-se, o espírito livre, forte
Inútil é o temor, pois a alma é imortal
Cada alma, uma estrela no cosmos que irradia
Uma gaiola aberta, é uma pele já fria
Não ouse chorar em um velório
Chore, ria, grite perante a vida
O mistério da existência é intenso e simplório
Nem sempre há tempo para uma criatura arrependida
Ouça o coração quando ele chamar
Já que pode não haver outra chance,
Não perca tempo em deixar de saber o que é amar
Ou prender o sentimento, pai do romance
Não lamente os erros que já tenha cometido
Ao menos que, com eles, não tenha conseguido aprender
Sempre há perdão para o coração realmente arrependido
É apenas do homem, a paranóia de condenar e fazer sofrer
Assim como, dele, é a necessidade de sonhar,
Assim como, dele, é a necessidade de evoluir,
A sua ânsia em perseguir, buscar
E a força da sua natureza de transgredir
E a esperança que segue feito rio corrente,
Nasce, embeleza e renova em cada ser nascente
Canção do Meu Exílio
Minha terra não tem palmeiras,
Nem canta o maldito sabiá
As aves aqui não gorjeiam,
Pois ganem as vozes que tento calar
Minha terra não tem bosques,
È feita de uma só cor
Nela, transcorre um fio de vida
Estreito demais para abrigar o amor
As flores nascem fedorentas,
Do solo da minha terra morta
Mas nascem cheios de ira os espinhos
E minha carne em ódio se corta
Meus olhos arregalados vagam sozinhos
A procurar criaturas nojentas
Como eu, que venham a vagar,
Por meu vasto e vazio império,
Venham me espreitar
No meu cemitério,
O submundo da minha mente,
A claridade por aqui não passa
Pois em meu negro coração é ausente
E nada o fará bater, faça o que se faça
Pois em meu antro, a vida é uma especiaria
E um tesouro é a sanidade
Servida está, em todo o canto, a agonia
Os lagos são podres e salgados
Pois são feitos de lágrimas de saudade,
Sonhos, amores que morreram afogados
A infância, estrondoso relâmpago,
A inocência que ainda não conheci,
Passou rápido, mudo feito um afago
Quando tentei reencontrar foi quando morri...
Minha terra não tem palmeiras,
Nem canta o maldito sabiá
As aves aqui não gorjeiam,
Pois ganem as vozes que tento calar
Minha terra não tem bosques,
È feita de uma só cor
Nela, transcorre um fio de vida
Estreito demais para abrigar o amor
As flores nascem fedorentas,
Do solo da minha terra morta
Mas nascem cheios de ira os espinhos
E minha carne em ódio se corta
Meus olhos arregalados vagam sozinhos
A procurar criaturas nojentas
Como eu, que venham a vagar,
Por meu vasto e vazio império,
Venham me espreitar
No meu cemitério,
O submundo da minha mente,
A claridade por aqui não passa
Pois em meu negro coração é ausente
E nada o fará bater, faça o que se faça
Pois em meu antro, a vida é uma especiaria
E um tesouro é a sanidade
Servida está, em todo o canto, a agonia
Os lagos são podres e salgados
Pois são feitos de lágrimas de saudade,
Sonhos, amores que morreram afogados
A infância, estrondoso relâmpago,
A inocência que ainda não conheci,
Passou rápido, mudo feito um afago
Quando tentei reencontrar foi quando morri...
Malvina
Soltos, os cabelos longos e cheirosos
Armados, os olhos fixos e tenebrosos
À janela me possui, atormenta, fascina
É ela, o diabo, belo corpo de mulher, é Malvina
Pele branca, lábios frios de morta
Face divina, corpo ardente
Poder diabólico, olho guloso, entorta
Seios alucinógenos, entranha quente
Venda-se desprezível alma masculina
Esqueça tudo o que já viu sobre uma mulher
Quando perder-se entre os braços de Malvina,
Repousar entre as pernas de Lúcifer
Não haverá mais, não existe figura feminina
Esqueça tudo o que sabe sobre prazer
Quando possuir-te os lábios de Malvina
Implore maldito! Ela quer te matar, quer te satisfazer
Nem a mais sórdida mente imagina,
Do que é capaz uma mulher sedenta
Um juízo, uma sujeira, uma paixão que tenta
A perdição, a gana, que emana de Malvina
Abrace-me doce menina
Acabe comigo maldita mulher e me sufoque
E me dispa e me excite e me descasque
Desperte o bicho que vive em mim, Malvina!
Comigo ela acaba, meu fogo ela apaga, com meu fôlego ela termina
Deixa-me doente, deixa-me quente, hipnotiza-me poderoso quadril
Deixa-me alucinado, deixa-me suado, deixa-me febril
Faça-me soluçar, tire o meu ar, faça-me ajoelhar, Malvina!
Mas peço a Deus que a minha mente não alucina
Peço a minha razão que proteja a minha família
Que não sofram a minha mulher e a minha filha
Deixe-as em paz, ainda que te mato, Malvina!
Na hora do prazer, a atração que abomina
Qualquer mulher é musa, é heroína
Mas uma só invade seu coração e lá reina e lá domina
Cuidado, sua volúpia é enganosa e não é eterna, Malvina...
Soltos, os cabelos longos e cheirosos
Armados, os olhos fixos e tenebrosos
À janela me possui, atormenta, fascina
É ela, o diabo, belo corpo de mulher, é Malvina
Pele branca, lábios frios de morta
Face divina, corpo ardente
Poder diabólico, olho guloso, entorta
Seios alucinógenos, entranha quente
Venda-se desprezível alma masculina
Esqueça tudo o que já viu sobre uma mulher
Quando perder-se entre os braços de Malvina,
Repousar entre as pernas de Lúcifer
Não haverá mais, não existe figura feminina
Esqueça tudo o que sabe sobre prazer
Quando possuir-te os lábios de Malvina
Implore maldito! Ela quer te matar, quer te satisfazer
Nem a mais sórdida mente imagina,
Do que é capaz uma mulher sedenta
Um juízo, uma sujeira, uma paixão que tenta
A perdição, a gana, que emana de Malvina
Abrace-me doce menina
Acabe comigo maldita mulher e me sufoque
E me dispa e me excite e me descasque
Desperte o bicho que vive em mim, Malvina!
Comigo ela acaba, meu fogo ela apaga, com meu fôlego ela termina
Deixa-me doente, deixa-me quente, hipnotiza-me poderoso quadril
Deixa-me alucinado, deixa-me suado, deixa-me febril
Faça-me soluçar, tire o meu ar, faça-me ajoelhar, Malvina!
Mas peço a Deus que a minha mente não alucina
Peço a minha razão que proteja a minha família
Que não sofram a minha mulher e a minha filha
Deixe-as em paz, ainda que te mato, Malvina!
Na hora do prazer, a atração que abomina
Qualquer mulher é musa, é heroína
Mas uma só invade seu coração e lá reina e lá domina
Cuidado, sua volúpia é enganosa e não é eterna, Malvina...
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