sábado, 19 de dezembro de 2009

Malvina

Soltos, os cabelos longos e cheirosos
Armados, os olhos fixos e tenebrosos
À janela me possui, atormenta, fascina
É ela, o diabo, belo corpo de mulher, é Malvina

Pele branca, lábios frios de morta
Face divina, corpo ardente
Poder diabólico, olho guloso, entorta
Seios alucinógenos, entranha quente

Venda-se desprezível alma masculina
Esqueça tudo o que já viu sobre uma mulher
Quando perder-se entre os braços de Malvina,
Repousar entre as pernas de Lúcifer

Não haverá mais, não existe figura feminina
Esqueça tudo o que sabe sobre prazer
Quando possuir-te os lábios de Malvina
Implore maldito! Ela quer te matar, quer te satisfazer

Nem a mais sórdida mente imagina,
Do que é capaz uma mulher sedenta
Um juízo, uma sujeira, uma paixão que tenta
A perdição, a gana, que emana de Malvina

Abrace-me doce menina
Acabe comigo maldita mulher e me sufoque
E me dispa e me excite e me descasque
Desperte o bicho que vive em mim, Malvina!

Comigo ela acaba, meu fogo ela apaga, com meu fôlego ela termina
Deixa-me doente, deixa-me quente, hipnotiza-me poderoso quadril
Deixa-me alucinado, deixa-me suado, deixa-me febril
Faça-me soluçar, tire o meu ar, faça-me ajoelhar, Malvina!

Mas peço a Deus que a minha mente não alucina
Peço a minha razão que proteja a minha família
Que não sofram a minha mulher e a minha filha
Deixe-as em paz, ainda que te mato, Malvina!

Na hora do prazer, a atração que abomina
Qualquer mulher é musa, é heroína
Mas uma só invade seu coração e lá reina e lá domina
Cuidado, sua volúpia é enganosa e não é eterna, Malvina...

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